Raimo Benedetti videoartista

Raimo Benedetti
Curso Pré-cinema Raimo Benedetti

Muybridge CursoAtelierPaulsita5E
CursoAtelierPaulsita5C CursoAtelierPaulsita5B

Desde muitos séculos, o homem, inspirado pelos efeitos da luz,  sustentou o desejo de produzir e projetar imagens luminosas sobre uma tela, o que de fato já acontecia milênios para trás quando imagens animadas eram retroprojetadas no ancestral teatro de sombra. Certos pesquisadores ainda entendem que na era paleolítica já se fazia um certo tipo de cinema nas paredes de algumas cavernas, que estando desenhos gravados em locais escuros, somente poderiam ser visualizadas pela intermediação da luz de tochas.  Diante do esforço em organizar o percurso milenar das práticas e tecnologias que antecede à era do cinematógrafo, se formou a História do Pré-Cinema, um campo de pesquisa dedicado ao estudo das mídias que serviram na constituição do cinema do modelo dos irmãos Lumière. Em seu percurso histórico, a pesquisa do pré-cinema  acomoda os inúmeros procedimentos mecânicos, ópticos, visuais e expressivos que se envolvem na produção de imagens que podem ser tanto intermediadas pelo uso da luz, como mediadas por recursos ópticos ou que estejam inclinadas a potencializar efeitos ilusórios. Devido à sua amplitude, a história do pré-cinema pega emprestado para si a sabedoria de vários campos do conhecimento tendo, grosso modo aarte e a ciência como seus maiores provedores. De um lado descobertas da física, química e biologia são introduzidas por cientistas do porte de Roger Bacon, Leonardo da Vinci, Athanaisus Kircher, Cristian Huygens, entre tantos outros, que enchem de glória o rol dos ilustres pré-cinematográficos. E do outro lado, as artes visuais, cênicas, narrativas e populares oferecem seus atributos para a performance visual proposta pela experiência cinematográfica.

Curso_Pre_CinemaEscavação Arqueológica Mas na história do pré-cinema evidentemente também se encontram mídias autenticamente pré-cinematográficas. O serviço de escavação arqueológica, promovido por pesquisadores em contextos acadêmicos, publicações especializadas, congressos e exposições – que tem ocorrido de modo mais ordenado partir da década de 1980 – têm revelado uma destacada importância para certas mídias que ficaram praticamente excluídas da produção historiográfica. A medida que salda dívidas com memórias perdidas, um notável número de estudos, em particular sobre a lanterna mágica, a estereoscopia e o monumental  panorama, têm oferecido um lugar de protagonismo para essas mídias, que chegaram a estar em atividade por mais de um século, e que a despeito de sua importância não encontravam lugar apropriado em nenhum outro campo de estudo, antes da análise sistemática proposta pelos estudos do pré-cinema. Mesmo tendo elas legado um rico acervo visual e farta documentação, foram negligenciadas até então pela a história da arte, das culturas populares e inclusive do próprio cinema e desse modo, as pesquisas do pré-cinema vêm promovendo uma revisão histórica cuja ressonância tem oferecido surpreendentes conclusões. A pesquisa pré-cinematográfica está criando uma perspectiva dos fatos que amplifica a concepção tradicional da história da arte ocidental tal qual conhecemos. A descoberta de uma iconografia que se manteve obscura, tem possibilitado o estabelecimento de novos vínculos com movimentos artísticos da história. Diante de certas conexões, elementos arte dita cinética, a optical art, o pontilhismo, o maneirismo, que até então eram movimentos circunscritos à uma escola isolada no tempo, passaram por ampliações de seus limites criando outras demarcações  históricas. A nova amplitude para esses movimentos, tem inspirado um interessante número de pesquisadores da atualidade que se aproveitam dos avanços da pesquisa pré-cinematográfica para dar uma nova conotação para a história da arte contemporânea.

Curso_Pre_Cinema_PPT Cinema do Futuro Além de criar novas leituras sobre o passado,  os estudos do pré-cinema estão mudando também a forma de se entender o cinema do futuro. Quando o historiador Gene Youngblood lançou, em 1970, seu emblemático livro Cinema Expandido, o americano ampliou a noção de cinema para além da telas e dos filmes. O termo “expandido” introduzido por Youngblood se referia aos novos territórios que o cinema se enveredava em direção a contextos da dança, performance, artes gráficas, etc. No entanto, a pesquisa pré-cinematográfica também pôde incrementar a noção de cinema expandido introduzida por ele, pois muitas das formas de ordem performáticas enunciadas em seu livro, tratadas em sua maioria como fenômenos da arte contemporânea, foram empregadas desde os tempos em que as máquinas ainda não haviam subistituído a presença  humana das apresentações nos espetáculos luminosos. Artistas como Gaspar Robertson, o grande nome da fantasmagoria, a atriz e dançarina Louis Furer, o itinerante Lyman Howes, são exemplos clássicos do uso do cinema de modo igualmente expandido similar ao que Youngblood apresentou. O cinema sempre foi uma experiência expandida e na verdade sofreu uma reversão quando foi mecanizado, eliminando a presença humana em sua condução. A autonomia mecânica do cinema, que de fato só ocorreu a partir de 1928 com a expansão do cinema sonoro, criou um rigoroso modelo de apresentação, mas não o único existente na história.  Antes disso, qualquer apresentação cinematográfica era um evento conduzido por uma ou mais pessoas, ou seja, em um ato performático. Estando um artista no palco como um apresentador, fazendo sonoplastia atrás da tela ou rodando a manivela ao fundo da sala, esses técnicos eram os responsáveis pela condução do evento.vj

Como um VJ, Raimo Benedetti atua  em sua performance de live cinema “Cinema das Atrações”

Pré-cinema?

Diante do esforço de apresentar a amplitude da história do pré-cinema, é preciso no entanto, quebrar um pouco o ritmo para mencionar,  o fato que o termo “pré-cinema” não é uma unanimidade. Mesmo diante de sua emancipação, o termo segue sendo contraditório e se entende perfeitamente suas razões. O emprego do prefixo “pré” neste caso induz a uma ideia exagerada de vínculo anterior, como se a ocorrência predecessora de certas práticas estivesse prometida para a futura invenção do cinema. As tecnologias que se adensaram para a constituição do cinematógrafo, têm uma história autônoma, com suas próprias balizas e desenvolvimentos. Mesmo depois que a fotografia, a lanterna mágica, os objetos cinéticos se adensaram criando a técnica cinematográfica cada uma dessas mídias seguiu em sua própria trajetória que se desenvolve até os dias de hoje. Assim o termo pré-cinema centraliza demasiadamente o cinema dentro de uma história que na verdade é muito maior do que ele, a História das Mídias Ópticas, a qual é um importante integrante, mas não o central. 
Curiosidades Ao contrario do que muitas vezes podemos imaginar o período pré-cinematográfico é marcado por uma história vibrante, intensa e muitas vezes popular quando não popularesca, que flerta tanto com a ciência quanto com a magia protagonizado por figuras ilustres e outras nem tanto entre sábios e charlatões, astrônomos e astrólogos, fisiologistas e prestidigitadores que talharam o perfil daquela que seria a “invenção do século” (Toulet, 1988) Além de servir para dar corpo à primeira industria do entretenimento , o período do pré-cinema gerou uma séria de dispositivos que sobrevivem ao tempo chegando até os dias de hoje. Os intermináveis loops de gifs animados que pulam nos sites oferecendo promoção, não se tratam apenas de um moderno acabamento para as tiras de animação que encantavam os olhos no fenaquistiscópio de Joseph Plateau? Ou, o projetor de slide  não é um parente direto da lanterna mágica? O cinema 3D da estereoscopia? Os exemplos de resistência dos aparatos pré-cinematográficos nos dias de hoje seguramente não se restringem aos aqui citados.

Referencias Referências Bibliográficas    Temas tratados em aula: -No tempo das cavernas Fazia o homem paleolítico cinema underground? Teatro de Sombra Fogos de artifício – Câmera Obscura À luz do dia (Giovanni Della Porta) – Objetos Óticos O encanto da profundidade de campo – Lanterna Mágica A magia luminosa Royal Polytechnic – Panorama O surgimento do espetáculo de massa (Robert Baker) – Fotografia Curto período para a rápida exposição (Daguerre) – Objetos Cinéticos A persistência da imagem na retina (Joseph Plateau) – Fantasmagoria No convento dos Capuchinhos  (Robertson) – Teatro Ótico As pantomimas ilustradas (Émile Reuynaud) – Cronofotografia O vôo da pomba (Marey) Cavalos a galope (Muybridge) Edison

Comments are closed.